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	<title>O Sono Luso &#187; Matias Mattias</title>
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	<description>O único jornal de auto-referência</description>
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		<title>O Erro de Medina Carreira</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 16:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Director</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A legenda da imagem não é irónica. Medina Carreira é considerado um dos poucos homens honestos que falam publicamente sobre o estado do país. Melhor &#8211; ou talvez pior &#8211; do que isso, é dos poucos que fala com o conhecimento adquirido de quem já passou pelo governo.
O quadro negro em que Medina Carreira traça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_876" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><img class="size-thumbnail wp-image-876" title="medina-carreira-9c76" src="http://osonoluso.org/wp-content/uploads/medina-carreira-9c76-150x150.jpg" alt="Medina Carreira, homem honesto" width="150" height="150" /><p class="wp-caption-text">Medina Carreira, homem honesto</p></div>
<p>A legenda da imagem não é irónica. <strong>Medina Carreira</strong> é considerado um dos poucos homens honestos que falam publicamente sobre o estado do país. Melhor &#8211; ou talvez pior &#8211; do que isso, é dos poucos que fala com o conhecimento adquirido de quem já passou pelo governo.</p>
<p>O quadro negro em que <strong>Medina Carreira</strong> traça o perfil do país é, para muitos, <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/21457-medina-carreira-voz-lucida-o-pais-ou-profeta-da-desgraca" target="_blank">a ferramenta do profeta da desgraça</a>. Se o &#8220;<em>profeta da desgraça</em>&#8221; é o oncologista que realisticamente diz ao paciente que tem poucos meses de vida, então concordamos.</p>
<p>Há, porém, um erro em que <strong>Medina Carreira</strong> incorre frequentemente. Diz que o país está a ser enganado pelos governantes e pelos partidos. Para <strong>Matias Mattias</strong>, de <strong>O Sono Luso</strong>, o erro é &#8220;<em>precisamente achar que o país está a ser enganado</em>&#8220;. O analista político acrescenta &#8220;<em>o país é enganado mas voluntariamente. Os Portugueses sabem que a situação é má mas vão sempre votar em quem mentir melhor acerca disso, em quem disser que tudo vai correr bem</em>&#8220;.</p>
<p>Para <strong>Matias Mattias</strong>, &#8220;<em>a verdade todos sabem mas, todos preferem fingir que acreditam em que promete mundos e fundos. Quando <strong>Medina Carreira</strong> perceber que o povo prefere a mentira, entenderá que o sistema de ensino é muito pior do que o que ele imagina. O grande objectivo de qualquer português assalariado é entender o mais cedo possível quem é o senhor a quem terá que lamber as botas. E com isto, continuamos a manter e perpetuámos as varas de corruptos&#8221;.</em></p>
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		<title>Freeport de Alcochete &#8211; O homem com 2 milhões de libras</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 10:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Director</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Partido Socialista]]></category>
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		<description><![CDATA[A TVI teve acesso a um fax que dá conta de subornos de 2 milhões de libras (aproximadamente 3 milhões e 200 mil euros na data do documento) relacionados com o Freeport de Alcochete. O Sono Luso teve acesso ao documento, e localizou o indivíduo que recebeu o suborno. A pedido do próprio, será utilizado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_540" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><img class="size-thumbnail wp-image-540" title="Jose-Sousa" src="http://osonoluso.org/wp-content/uploads/2009/10/Jose-Sousa-150x150.jpg" alt="José Sousa (nome fictício), o homem que tem as libras" width="150" height="150" /><p class="wp-caption-text">José Sousa (nome fictício), o homem que tem as libras</p></div>
<p><a href="http://www.ionline.pt/conteudo/28693-freeport-fax-confidencial-fala-em-dois-milhoes-libras-em-subornos" target="_blank">A TVI teve acesso a um fax que dá conta de subornos de 2 milhões de libras</a> (aproximadamente 3 milhões e 200 mil euros na data do documento) relacionados com o <strong>Freeport de Alcochete</strong>. <strong>O Sono Luso</strong> teve acesso ao documento, e localizou o indivíduo que recebeu o suborno. A pedido do próprio, será utilizado o nome fictício de <strong>José Sousa</strong> (<strong>JS</strong>). Segue-se a transcrição da entrevista telefónica efectuada por <strong>Matias Mattias</strong> (<strong>MM</strong>).</p>
<p><strong>MM: Recebeu 2 milhões de libras para viabilizar o Freeport de Alcochete?</strong></p>
<p>JS: Não foi para viabilizar. Quer dizer, estava tudo pronto e a decorrer sem problemas mas apareceu um relatório de impacto ambiental desfavorável. Foi necessário puxar uns cordelinhos.</p>
<p><strong>MM: Através de suborno?</strong></p>
<p>JS: Eu não pedi nada. Foi oferecido. Considerei-o como um incentivo para tratar das coisas rapidamente já que haveria confusão com o Guterres a ir embora e o governo a cessar funções.</p>
<p><strong>MM: O primeiro-ministro esteve envolvido?</strong></p>
<p>JS: Guterres não percebia nada do que se passava à volta dele. O gajo é socialista. Achava que com diálogo tudo se resolvia. Nunca viu luvas, nem esta nem as outras.</p>
<p><strong>MM: Há outras?</strong></p>
<p>JS: Os meus colegas dizem que sim. Eu só recebi esta. Quer dizer, das grandes. Posso ter recebido outras coisas mas nada que me permita viver tão bem como esta.</p>
<p><strong>MM: Considera que, de alguma forma, roubou ao país?</strong></p>
<p>JS: Não. Só tenho 3 milhões de libras no bolso. Não era dinheiro dos portugueses. Foram uns ingleses interessados que contribuíram para o progresso de Portugal e para o meu próprio progresso.</p>
<p><strong>MM: Mas é ilegal.</strong></p>
<p>JS: Também o aborto era até ter sido legalizado por um governo PS. Pusemos o povão a votar por nós e tudo. As ilegalidades de hoje são as práticas comuns de amanhã. Só estou na vanguarda desse movimento.</p>
<p><strong>MM: Em termos políticos e sem querer revelar a sua real identidade, não sofreu consequências com este incidente.</strong></p>
<p>JS: Temos sorte em conseguir manter o sistema judicial sob controlo. Eu não me posso queixar. Como sabe &#8211; e isto é o máximo que direi &#8211; a minha carreira não foi prejudicada por isso apesar das cabalas e campanhas negras.</p>
<p><strong>MM: Parece ser um facto relevante que, em Portugal, o poder político não é alvo de investigação séria.</strong></p>
<p>JS: Nada é alvo de investigação séria. Eles tentam mas nós minamos aquilo por dentro. Há uns palermas que dedicam anos da sua vida à procura da justiça para os outros. Palhaços. Mal começam a roçar na verdade nós arranjamos forma de os despachar. Por exemplo, um palhaço meteu um amigo meu na prisão preventivamente &#8211; hoje já tem a carreira congelada. Se protestar muito mais até droga lhe metemos debaixo da toga e soltamos os cães. Quem se mete com o PS, leva, já dizia um querido amigo meu.</p>
<p><strong>MM: Jorge Coelho&#8230;</strong></p>
<p>JS: Um grande homem.</p>
<p><strong>MM: &#8230;cuja nomeação para a Mota-Engil também levantou suspeitas de promiscuidade entre o poder político e o poder económico.</strong></p>
<p>JS: E depois?</p>
<p><strong>MM: Como se governa com essas suspeitas?</strong></p>
<p>JS: Promete-se merda. Comboios, aeroportos, estradas, rendimentos, subsídios, cursos superiores para todos&#8230; Merda. Ainda os pomos a pagar essa merda toda. Os maiores apoios que temos vêm dos gajos pensantes. Agora também controlamos parte significativa dos jornais. Já deve ter reparado, não nos esforçamos muito para esconder.</p>
<p><strong>MM: Mas o país queixa-se da corrupção&#8230;</strong></p>
<p>JS: Não queixa nada. O país queixa-se de não ter acesso à corrupção. O povinho parolo não quer que acabe a corrupção. O que eles querem é poder aceder, da mesma forma que eu acedo, a poder e dinheiro.</p>
<p><strong>MM: Isso é desolador. Onde irá o país parar?</strong></p>
<p>JS: A lado nenhum! O Barroso percebe isso. É um tipo porreiro. Agora estamos empenhados em arranjar desculpas para as costas de Bruxelas. Os italianos estão radiantes. Agora vamos poder fazer tudo o que quisermos e dizer que foram os burocratas de Bruxelas que nos obrigaram. Isso ganha eleições.</p>
<p><strong>MM: E o Plano Tecnológico?</strong></p>
<p>JS: Serve o seu propósito.</p>
<p><strong>MM: Que é?</strong></p>
<p>JS: Fingir modernidade. Estamos a extrapolar um modelo originário do meu mentor, pessoa que muito admiro, o doutor Emídio Rangel. Quando você viu o macaco Adriano pela primeira vez, ficou de boca aberta. Perguntou a si próprio o que era aquilo. Um tipo a fingir que é macaco na televisão? Aí reconheceu imediatamente que aquela era a nova programação televisiva, movimento, nada previsível, dinâmica, cortes radicais de assunto com música hipnoticamente desconcertante. É o meu modelo. Claro, sem artifícios tão vincados porque da política espera-se menos entretenimento e mais determinação. Mas temos também os macacos de serviço.</p>
<p><strong>MM: Fico estupfacto com a sua forma de estar na política.</strong></p>
<p>JS: Isso é uma conclusão que você está a tirar, que eu estou no ramo da política. Não estou, estou na área do entretenimento. Sou uma espécie de Futebol, Fátima e Fado para reformados e para os novos que têm a mania que são espertos e ainda acreditam no Pai Natal.</p>
<p><strong>MM: Isso não vai atrasar o país?</strong></p>
<p>JS: Atrasar como, homem? Queria o quê? Plantar batatas? Estamos numa sociedade moderna em que a realidade é a internet, o movimento, a luta entre os que acham que são elite e a elite que nós estamos a fabricar nas universidades hoje. Temos feito um trabalho notável na educação.</p>
<p><strong>MM: Como assim?</strong></p>
<p>JS: Em primeiro lugar, adiamos a entrada no mercado de trabalho. Senão a taxa de desemprego seria uma catástrofe. Vendemos pós-cursos, nem que para isso tenha sido necessário fazer o upgrade das licenciaturas para mestrados. Como os mestrados não valem um chavo, andam os toninhos a fazer doutoramentos que não valem um cu furado. Eu nunca fiz uma licenciatura e sai-me bem.</p>
<p><strong>MM: Mas a educação e o ensino superior são o caminho que permite ter gente que possa assumir o rumo no futuro.</strong></p>
<p>JS: Nós temos um rol de gente pronta para assumir o futuro. É uma faca de dois legumes. Como não há empregos, os tipos metem-se nos partidos. O nosso está na onda de cima por isso, temos muitos putos chico-espertos que poderão chegar a deputados, ministros e até presidentes.</p>
<p><strong>MM: Então opta-se pela política como alternativa a um emprego?</strong></p>
<p>JS: Foi o que eu fiz. Há milhares de rapazolas como eu pelo país fora. A política é mal paga mas, já lhe disse que tenho 2 milhões de libras no bolso?</p>
<p><strong>MM: Esse é um quadro negro para o país.</strong></p>
<p>JS: Não é. O povão acredita. Temos jornalistas a dizerem-lhes para acreditar. Funciona perfeitamente. Daqui a uns tempos chacinamos um gajo que diga mal e, com o medo, todos acabam por apoiar seja o que for que viermos a fazer. O problema do Hitler foi aquela obcessão idiota pelos judeus. Se tivesse usado a cabeça em vez das paixões, teria enchido os bolsos e hoje já poderia ser conhecido como um grande homem de estado. Eu vou ficar na história, como todos nós. Mas no meu caso específico, será por mérito. Eu criei o modelo do futuro. E quem vier depois que feche a porta!</p>
<p><strong>MM: O que tenciona fazer com o dinheiro do Freeport?</strong></p>
<p>JS: Está guardado. Nós mandamos os palermas gastarem dinheiro. Mas eu guardo-o. Poderei precisar dele se alguma das minhas experiências der para o torto.</p>
<p><strong>MM: Para sair do país?</strong></p>
<p>JS: O Vale e Azevedo deu-se bem.</p>
<p><strong>MM: Bem&#8230; Nem sei que dizer. Obrigado pela entrevista.</strong></p>
<p>JS: Veja lá se envia isso ao Silva para ele dar uma vista de olhos antes de publicar. Não é censura. Gostamos é de estar informados, percebeu senhor Matias com número fiscal 3231535?</p>
<p><strong>MM: &#8230;</strong></p>
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