
Gladiadores do PSD
Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Passos Coelho são a mesma face de duas moedas. Ou as duas coroas. Agora, o problema é que o Partido Social Democrata só permite um líder ao mesmo tempo. Complicada decisão de um partido que não sabe se é de esquerda ou de direita, conservador ou liberal. Assim sendo, apenas com um líder, a opção é difícil. Pedro Passos Coelho oferece, basicamente, uma face relativamente nova, imaculada de grandes contradições para além da óbvia “o PSD necessita de uma linguagem nova“. Marcelo Rebelo de Sousa, por outro lado, é a face da oposição a Guterres, alguém habituado a negociar e viabilizar orçamentos de governos minoritários.
A ideia de “nova linguagem” para o PSD assusta. O último partido a assumir uma “nova linguagem” deu-nos um primeiro-ministro com etiqueta socialista e acções de déspota. Por outro lado, o povo gosta, a comprovar pelos resultados eleitorais dos últimos anos.
Ainda não apareceu Pedro Santana Lopes, o eterno candidato derrotado a todas as disputas de liderança. Para nós, é essa a variável que falta para a queda de Manuela Ferreira Leite. Pode ser o próprio Santana Lopes ou outra figura que desempenhe o seu papel (António Capucho, por exemplo).
A nossa ilustração demonstra isso. Não se espera uma guerra aberta entre Passos Coelho e Rebelo de Sousa. Ambos sabem que, independentemente das lérias de guerrilha que passem aos media, necessitam de momentum propício para o embate final. Passos Coelho é mais juvenil (i.e. ingénuo). Vê a questão da liderança como a primeira versão de Rocky Balboa. Já Rebelo de Sousa vê as coisas mais como um Apollo reformado que não entra em competições para perder.
Resta saber quem aparecerá para ser desfeito por ambos na arena nacional.