| O único jornal de auto-referência
30/07/2010

Amália Hoje é um pneu recauchutado

Amália Hoje é um disco que deve ser lançado por todos os portugueses

Amália Hoje é um disco que deve ser lançado por todos os portugueses

Aproveitando a onda do revivalismo Geração Morangos Com Açucar e assinalando as celebrações da vida de Amália Rodrigues no ano em que se concretizam 10 anos desde a sua passagem para o Panteão dos imortais, o album Amália Hoje é um produto plástico rasca disfarçado de homenagem.

É certo que os artistas envolvidos devem ter ouvido gravações de Amália Rodrigues mas, a julgar pelos arranjos que deram às obras imortais, devem ter ouvido Amália enquanto assistiam à telenovela mexicana.

O único ponto redentor de todo o disco é, curiosamente, o facto de este ser optativo ou seja, ninguém é obrigado a ouvir e muito menos a comprar o produto.

Entre loops artolas, sons retirados de sintetizadores tão eficazmente utilizados como garfos espetados em olhos, e, acima de tudo, entre vocalizações capazes de envergonhar qualquer mariconço que considera transformismo como uma forma de arte superior (ou inferior), toda a colecção está condenada ao inevitável sucesso comercial.

O album parece ter sido gravado sobre o efeito de substâncias que alteram o nível de consciência o que, considerando o produto final, é também a única forma possível de o escutar e sentir a presença de algo remotamente relacionado com Amália Rodrigues.

Amália Rodrigues merecia mais? Sem dúvida. Nestes moldes? Não, por favor. Não se trata de defender purismo no Fado, trata-se de defender respeito que ultrapasse a pirralhice pueril e a oportunidade de pisar palcos nacionais arrastando a carroça de uma história que ninguém se dá ao trabalho de respeitar.

O Sono Luso recusa-se a atribuir uma classificação em estrelas ao trabalho, tal como se tem recusado a atribuir estrelas a moteis que não passam de compartimentos para quecas.

Recomendado a: idiotas

Desaconselhado a: adultos