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	<title>O Sono Luso &#187; O Canto da Sereia</title>
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	<description>O único jornal de auto-referência</description>
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		<title>para f., de um tipo a quem as cruzes não doem</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 18:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diana Mantra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[O Canto da Sereia]]></category>
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Nota do Director: o estilo do texto que se segue é da responsabilidade do autor. O Sono Luso acredita na capitalização de nomes assim como, no geral, nas regras da gramática. No entanto, neste artigo, aceita-se o estilo Saramago recauchutado dado o seu teor.
cara f., respondo como figura importante pela minha dimensão &#8212; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_883" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-883" title="20070602091207_graveyard" src="http://osonoluso.org/wp-content/uploads/20070602091207_graveyard-300x167.jpg" alt="Foto de http://www.alphakilo.net/" width="300" height="167" /><p class="wp-caption-text">Foto de http://www.alphakilo.net/</p></div>
<p></em></p>
<p><em>Nota do Director: o estilo do texto que se segue é da responsabilidade do autor. O Sono Luso acredita na capitalização de nomes assim como, no geral, nas regras da gramática. No entanto, neste artigo, aceita-se o estilo Saramago recauchutado dado o seu teor.</em></p>
<p><a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/1280382.html" target="_blank">cara f.</a>, respondo como figura importante pela minha dimensão &#8212; principalmente lateral. o espesso é um jornal que leio com prazer, gosto de sofrer. está na minha génese ser optimista nem que para isso tenha que gramar com a verdade. não sei onde nasceu f.. eventualmente numa quinta agnóstica sanada pelo estado. eu nasci numa aldeia aqui no norte que dá pelo nome de porto. temos muitas cruzes por aqui, credo. mas o problema não são as cruzes, são os ateus. o problema de todos os que não acreditam em seja o que for e se sentem militantes da causa dos justos, julgam poder colocar-se à margem da religião. um ateu é, obviamente, um religioso. alguém que acredita (não tem provas para provar a inexistência de deus), com fé, na crença da não existência. isto torna um ateu tão crente como o crente no touro sagrado.</p>
<p>aprecio a forma como a f. escreve sobremaneira coisas abstrusas e contraditórias. nunca conseguiria dizer que são mentirosas. a mentira é feia. a f. é bonita. a sua crítica ao dr (será engenheiro???) joão carlos espada é infundada. primeiro, porque refere as vantagens apontadas pela rainha de inglaterra a uma igreja e, como não se revê nessas vantagens, aproveita para a criticar &#8212; o que, na minha humilde perspectiva, significa que está mesmo em guerra com essa tal de igreja. segundo, porque como defensora das minorias marginais que é, presume que as maiorias estão erradas na sua certeza magnânima e, como tal, espera-a uma pequena desilusão doméstica quando o garanhão que nos governa perceber que não gosta de maiorias. eu também não gosto do garanhão mas isso são outras histórias.</p>
<p>gostaria de ver f. empenhada numa campanha de recolha de crucifixos, eventualmente até os casar uns com os outros desde que não possam adoptar pequenos cristozinhos. deixo-lhe um pequeno suuuuuuuuuuuuuuspiro. sabe decerto que dois crucifixos não se conseguem reproduzir sozinhos, por obra e graça do espírito santo, essa entidade que sabe não existir. sabe que os crucifixos foram, então, colocados na escola por alguém. como da última vez que verifiquei, os crucifixos não se queixam, a sua argumentação tem como intenção chatear os que lá os colocaram, não é? não responda. a gente sabe que a igreja é uma grande vara de corruptos prontos para as negociatas que enchem os bolsos das cruzes.</p>
<p>ciganos, comunistas e homossexuais são gente. claro. salazar também é gente. ou pó, hoje em dia. uma coisa que outra minoria &#8212; os judeus &#8212; já aprenderam é que tirar o pó das fornalhas não impede os mortos de continuarem mortos. a linha ténue entre mexer e não mexer em alguma coisa é, a linha ténue entre estar do lado vitorioso da história ou do lado perdedor. vá lá tirar os crucifixos. eu gostava de ver. porque isto de mandar bitaites e esperar que uns tipos assinem uns papeis que mandam os outros fazer o que eles não querem é coisa de maricas. darwin, na sua sapiência, não previu a subsistência dos maricas. os fortes costumam comer os fracos. e sem adopção, aí é que é certo que não se reproduzem.</p>
<p>aprender com a história é, cara f., aprender a deixar quieto o que não morde. aprender com a história é aceitar que não controlamos tudo o que nos rodeia. salazar esqueceu-se disso. agora dá voltas no túmulo. não esteja ocupada a pôr crucifixos nas escolas. ocupe-se a ir lá tirar os que estão. depois tratamos de pôr os contribuintes a pagar os tratamentos de fertilidade para que os crucifixos se reproduzam.</p>
<p>nas propriedades do estado ninguém pode tocar ou enfeitar. da última vez que vi, há propriedades do estado a enfeitar muito bem os escritos no éter deste país.</p>
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		<title>Anoitecer em Karl Johan</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 16:38:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Cunha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[O Canto da Sereia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Vítor Cunha
Falar de Munch é falar de &#8220;O Grito&#8220;, a enigmática pintura que ficou nos registos populares como a perfeita ilustração de algo errado ou imperfeito. O desespero da obra é utilizado, frequentemente para fins cómicos, como alegoria da condição humana. Há, sem dúvida, uma relação demasiado forte entre o sofrimento profundo e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_628" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-628" title="eveOnKarlJohan_3-1" src="http://osonoluso.org/wp-content/uploads/2009/10/eveOnKarlJohan_3-1-300x210.jpg" alt="Edvard Munch - Evening on Karl Johan, óleo sobre tela, 1892" width="300" height="210" /><p class="wp-caption-text">Edvard Munch - Evening on Karl Johan, óleo sobre tela, 1892</p></div>
<p><em>Por Vítor Cunha</em></p>
<p>Falar de <strong>Munch</strong> é falar de &#8220;<strong>O Grito</strong>&#8220;, a enigmática pintura que ficou nos registos populares como a perfeita ilustração de algo errado ou imperfeito. O desespero da obra é utilizado, frequentemente para fins cómicos, como alegoria da condição humana. Há, sem dúvida, uma relação demasiado forte entre o sofrimento profundo e a comicidade.</p>
<p>Apesar da importância de &#8220;<strong>O Grito</strong>&#8220;, o quadro de <strong>Munch</strong> que mais me intriga é este, o &#8220;<strong>Anoitecer em Karl Johan</strong>&#8220;. Já lá iremos.</p>
<p>Hoje à noite, a <strong>SIC Notícias</strong> juntará <strong>José Saramago</strong> e o <strong>padre Carreira das Neves</strong> para um confronto de ideias, à partida, previsíveis. De um lado, o crente devoto, do outro, o ateu convicto. O que se espera desse confronto? A prova inequívoca da existência ou não existência de um deus? Porque tudo o resto é irrelevante. Podemos discutir até à exaustão de <strong>Hercules</strong>, mas a única conclusão que nos interessa, existindo possibilidade de conclusão, é a escolha do partido que nos representa, o da fé na existência ou o da convicção da não existência divina.</p>
<p>Porque é tão importante discutir a existência de uma ou mais divindades? Os crentes dirão para entender a vida, os não crentes dirão, com igual sensatez, para entender a morte. Os crentes que acreditam que a divindade nos permite viver a vida de uma determinada forma estão equivocados se não referindo a variável principal. Porque haveríamos de viver de uma determinada forma, contrariando a liberdade que temos ao dispor? Tudo cai no mesmo problema: a inevitabilidade da morte. A morte justifica todas as religiões, todas as crenças, todas as necessidades, toda a moral. Só cremos porque tememos a morte. Fosse o ser humano imortal, nenhuma religião existiria. Ateus e religiosos procuram a mesma coisa, o significado da vida na presença da morte.</p>
<p>O quadro de <strong>Munch</strong> ilustra uma multidão a afastar-se, decidida e temerosamente de um local onde nada se vislumbra. Sabe o que falta na pintura? O sol. Já se pôs. Morreu. A multidão vira costas e afasta-se desse sol morto. Foge da morte. Evita-a, teme-a, dedica-lhe a vida rezando e intelectualizando o seu destino final. Todos menos a figura algo sinistra que a encara. O existencialista. O <strong>José Saramago</strong> daquela multidão, arrisco a afirmação.</p>
<p>Podemos discutir a necessidade das religiões, os seus preceitos, rituais, desígnios. Nada disso é, como diria <strong>Pacheco Pereira</strong>, o essencial. A verdadeira essência de qualquer religião reside num facto simples que qualquer humano reconhece como verdadeiro: o seu destino ser morrer.</p>
<p>São então necessárias as religiões? Talvez sejam. Talvez estejam também afastadas do que importa. Todos se sentem os povos eleitos, usam de sobranceria sobre as outras e servem de justificação de todas as atrocidades possíveis. Como afirma Saramago, necessitam de explicações e interpretações mais complexas que os textos que têm por base. Podem explicar-me todos os motivos encontrados pelas racionalizações modernas para a rejeição da oferenda de <strong>Caim</strong> em detrimento da de <strong>Abel</strong>. Nenhuma delas explica a rejeição da oferenda da dúvida de <strong>Saramago</strong> que o motiva a falar e escrever &#8220;<strong>Caim</strong>&#8220;.</p>
<p>Escusar-me-ia de afirmar que a liberdade de crítica a <strong>Saramago</strong> não está a ser por mim posta em causa. Também não ponho em causa a liberdade de <strong>Caim</strong> para assassinar <strong>Abel</strong>. Mas talvez fosse uma boa ideia equacionar se toda a crítica, livre e de direito a <strong>Saramago</strong>, não é a versão moderna do assassínio de <strong>Abel</strong>.</p>
<p>Porque se não podemos matar deus, podemos provar inequivocamente a sua passividade.</p>
<blockquote><p>Este texto é a minha <a href="http://jornal.publico.clix.pt/noticia/23-10-2009/uma-farsa-18072781.htm" target="_blank">resposta a Vasco Pulido Valente</a> e à <a href="http://arrastao.org/sem-categoria/e-um-doutor-de-lisboa-por-amor-de-deus/" target="_blank">contra-resposta de Daniel Oliveira</a></p></blockquote>
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		<title>Não há maior prova de amor que matar o teu filho porque ouviste vozes</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 21:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Cunha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[O Canto da Sereia]]></category>
		<category><![CDATA[Abraão]]></category>
		<category><![CDATA[Isaac]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[por Vitor Cunha
Ambiente Lou Reed envolve as planícies urbanas da Lusitânia, exalando conforto e compartimentando, tudo bem aprumado, sob tortura infanticida, com rigor e zelo diplomata entre etiquetas de esquerda e direita. Nos montes, para além do frio calcário, entre as brumas da memória, o povo tem mais em que pensar, valha-nos-nosso-senhor.
José Saramago vem destruir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_552" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-552" title="33isaac" src="http://osonoluso.org/wp-content/uploads/2009/10/33isaac-300x230.jpg" alt="Lou Reed - Kill Your Sons" width="300" height="230" /><p class="wp-caption-text">Lou Reed - Kill Your Sons</p></div>
<p><em>por Vitor Cunha</em></p>
<p>Ambiente <strong>Lou Reed</strong> envolve as planícies urbanas da <strong>Lusitânia, </strong>exalando conforto e compartimentando, tudo bem aprumado, sob tortura infanticida, com rigor e zelo diplomata entre etiquetas de esquerda e direita. Nos montes, para além do frio calcário, entre as brumas da memória, o povo tem mais em que pensar, valha-nos-nosso-senhor.</p>
<p><strong>José Saramago</strong> vem destruir etiquetas, tornando impossível descobrir quem é de esquerda e de direita, quando alguém, não só concorda com as afirmações do escritor como &#8211; pasmem-se &#8211; até acha <strong>Caim</strong> leitura excelente.</p>
<p>Uns socráticos entendem achar defensores de Saramago e detractores de Sócrates &#8220;gente de direita&#8221;. Gentalha. Pela falta de tino, poderia o incauto julgar tratarem-se de jornalistas, mas a estupidez ultrapassa cursos universitários e marcas de aparelhometros sofisticados de veneno pueril.</p>
<p>Como é sabido, por religiosos que querem filhas virgens e preservativos abolidos, não há maior prova de amor do que estar pronto para degolar e queimar o nosso filho único por ordem do além. A infantofagia deveria, inclusivamente, ser apanágio de gente não-comunista por natureza própria e hereditária. Há quem ache, até, que estas questões devem ser resolvidas com renúncias de nacionalidade, provavelmente, os da mesma má-vida que vêem suspeitos de pedofilia aclamados, isto em determinados círculos mal-frequentados e pior iluminados.</p>
<p>É um facto simples comprovar que Saramago não precisa de apoio dos portugueses. Basta-lhe o apoio dos leitores internacionais, que, com alguma cultura própria, sem a imagem bolorenta de um ou outro Salazar em paredes cavernosas de escola (ou do deus-Magalhães, também dogma socrático), não lamentam que fulano ou sicrano tenha determinada nacionalidade. Até porque, se fossem japoneses, deus não poria lá os pés, coisa que viabilizaria toda a política sanguinária do Europa-é-católica-escrito-no-texto-do-cherne, analogia piscatória, símbolo cristão e iguaria crua nos restaurantes de Tóquio.</p>
<p>Nós preferiamos, porém, viver num país onde se pudesse escrever o que nos vai na veneta. Gostaríamos, se não fosse pedir de mais aos burgueses, e por isso, colocamos a questão à vossa mercê, porque o povo é douto e lerdas são as opiniões recicladas, ser-nos permitido anexar orações, entre divergências e ornamentos neo-florentinos, sumariamente resumindo a nossa opinião, vulgo liberdade de expressão, que trampa tem mau cheiro independente da criatura que a excreta. Há o homem que viu o Estado Português condenado pelo Tribunal dos Direitos Humanos. Isso é bonito. Um belo prado onde a devoção de quem constrói arcas para dilúvios possa contemplar, fraternalmente e com igualdade liberal, dilúvios de arcas. Seja isso lá o que quer que seja, ou não, porque a língua é mesmo assim, um conjunto de letras cujo sentido é aquele que o cérebro, esquerdo e direito, com mais ou menos engenho, o determinar.</p>
<p>Falando de engenho, o progresso são TGVs. E Todos Gostamos de Vícios. Não são, nunca serão, e mal seria se fossem, obviamente, reflexões de um escritor, ou de um tipo que escreve &#8220;romance&#8221; na primeira página de um livro, livro que ainda não foi lido por nenhum dos acérrimos críticos da moral doutrinária, e malfadado, porque não tocado por deus, se não contribuindo para o grande livro da humanidade.</p>
<p>Era bonito que Buda viesse apaziguar os bárbaros. Ou outro qualquer. Este está um bocado gasto. Porque os bárbaros, na sua maioria, têm acesso aos meios de comunicação. Muitos são de boas famílias e os que não são, almejam ser, nem que para isso façam nascer dois ou três bastardos pelo caminho. Alguns lêem a cartilha, outros inventam-a com o zelo do burocrata que apodrecerá em diligências formais de constituição do futuro inóspito mas compartimentado. Agora, a nossa conclusão é que, como deus existe, é uma divindade muito distraída. Temos que o avaliar nesses termos, não nos é dada alternativa. É uma simples consequência da inabilidade de compreensão da natureza divina. Há aí uns que compreendem. Esses são os bem-aventurados. Com o devido zelo, aguardam a promoção, eles próprios, aos deuses da geração.</p>
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